quarta-feira, 18 de abril de 2012

D25-5 AVA 01_LI_ Rosângela Aparecida Dias Santos

 “Filosofia” e “Filosofia de Vida”.

A Filosofia é uma atitude reflexiva. Em um dos seus escritos, o filósofo grego Platão diz que Sócrates teria afirmado certa vez que “uma vida sem reflexão, não merece ser vivida”. Mas o que quer dizer mesmo a palavra “reflexão”? Reflexão, conforme nos ensina Marilena Chauí, em seu livro Convite á filosofia, é “o movimento pelo qual o pensamento volta-se para si mesmo, interrogando a si mesmo”. Quando se fala em pensamento é aquilo produzido pela própria razão, entendida pelos gregos como logos. O filósofo Pitágoras de Samos, um grego do século V antes de Cristo, disse que a filosofia significa “amizade pela sabedoria”. [Philos vem de philia, ou seja, amizade; e Sophia corresponde à sabedoria].
 Filosofia na atualidade -"A Filosofia não é uma divagação. Ela se faz no campo de uma análise dos textos dos filósofos", diz o doutor em Filosofia pela Universidade de São Paulo Maurício Marsola. Ele defende que não há filosofia se não houver estudo dos filósofos clássicos, antigos e defende a formação de uma massa crítica em nosso País.
O ser humano utiliza os conceitos filosóficos hoje, no seu dia-a-dia. E em geral, o que nós chamamos de Filosofia, de forma cotidiana, na verdade é o que se configura como uma “filosofia de vida”. Na construção de uma filosofia de vida não aparecem só elementos filosóficos, mas entram as vivências, as crenças e os costumes que a pessoa herda da família. Quando efetivamente a pessoa toma contato com os filósofos, aí sim começa a real relação entre a Filosofia e a vida.
O estudo das questões filosóficas é como no
começo de qualquer estudo é feito por meio da história da Filosofia, tendo, por exemplo, a discussão em torno da felicidade. Não vou simplesmente ficar divagando sobre a felicidade, pois a Filosofia não é uma divagação, ela se faz no campo de uma análise dos textos dos filósofos. O historiador da Filosofia lê e analisa os textos dos filósofos, que é o grande documento para o historiador da Filosofia. Basicamente, o estudo é feito com a leitura e a interpretação de textos dos filósofos históricos e a análise da questão em si. Sem ter acesso aos textos dos filósofos antigos não há como estudar Filosofia.
A diferença principal entre o estudo da Filosofia na época de Platão, Sócrates, Aristóteles e o estudo atual está na Antigüidade, quando alguém fazia parte de uma escola filosófica, não significava só estudar aquilo, mas também viver de acordo com esses princípios. Não se tratava só de examinar determinadas questões, mas analisar o que é a justiça, a coragem, a temperança. Filosofar era viver corajosamente, viver temperantemente. Hoje nós perdemos essa noção. A Filosofia virou algo estritamente acadêmico, embora não haja outro jeito de acontecer uma “filosofia vulgar” ou “popular”. Hoje há muitos especialistas em diversas áreas da Filosofia, mas isso não tem nada a ver com as suas vidas. Hoje, a Filosofia e prática se separaram.
Para aplicar conceitos antigos de Filosofia em nosso cotidiano só pode fazer isso quem tomou algum contato com o estudo da Filosofia. Para que um psicólogo reflita melhor sobre o que ele faz, tem que se voltar para a Filosofia, onde poderá pesquisar uma série de questões.
A Ética tem muito a dizer para todas as áreas. Ela vai necessariamente se voltar para a Filosofia, nos valores, no que norteia nossa vida, em quais são os critérios para nossas ações. A frase do filósofo alemão Immanuel Kant indagava essas questões com a pergunta “O que eu devo fazer?”. Isso toca necessariamente na Ética, mas toca em todas as áreas. O problema é que nós vivemos em um momento de crise ética, onde existe um vazio no sentido de valores, tendo uma ética mais atual e mais necessária.
A Ética muda com o tempo dependendo do tipo de valor. Os valores da “vida humana” parecem sempre algo como um parâmetro tomado para reflexão em cada época. O que vai mudando são costumes, sobre determinadas situações históricas, valores do homem e, claro, como o homem de cada época vive. Os costumes mudam, nos fazendo questionar: o que seria uma ética para o nosso tempo? E o que estes novos valores podem fazer para nortear nossa vida? Não existe outro caminho se não estudar a Ética. Em cada período os filósofos se dedicaram de uma forma diferente a essa questão. Não só Aristóteles e Platão, existe uma série de filósofos atualmente que se voltam para a ética profissional, como Jürgen Habermas e Hans Jonas. Aí temos uma questão que diz respeito à atualidade da informação e dos estudos dos filósofos.
A afirmação “isso não existe mais no mundo atual” nos faz entender que é necessário repensar os valores éticos. Talvez seja difícil compreender, mas a melhor maneira de justificar a atualidade do pensamento dos filósofos históricos seja dizer “eles são atuais porque eles são 'inatuais', são antigos”, pois colocaram bases para o pensamento.   Ainda que nós não vivamos mais no mundo deles e não temos valores como virtude, honestidade, lealdade, coerência. Ainda que não seja algo atual, é justamente por isso      que têm algo a dizer.                                                   .            
Nós vivemos em uma época de barbárie. Basta sair à rua para ver que a gente está numa situação complicada. A grande palavra do mundo moderno é concorrência, lucro e poder. Estar por cima dos outros e ter prazer. O prazer é ter uma vida equilibrada, virtuosa, boa, de tal modo que ela seja prazerosa. O homem sábio é aquele que retira de cada momento da vida o prazer simples, ver um dia ensolarado causa prazer, ou você tomar um café que você gosta na padaria. Mas não se trata só do prazer. Uma vida equilibrada por si mesmo já é prazerosa. O prazer não se separa da idéia de uma vida boa,virtuosa,de uma vida em que você não vai buscar excessos.
A França tem 800 anos de Filosofia, tal como a Itália e a Alemanha, ou seja, o convívio com a Filosofia é mais antigo. No Brasil, muita gente não quer ou não consegue ir para a área docente. É um problema que pode começar a se agravar, mas é importante que tenha um excesso de profissionais, porque isso forma uma massa crítica e um quadro que pode expandir os cursos no Brasil, que em geral têm no máximo cem anos. Mas nem todo mundo que faz Filosofia vai trabalhar com Filosofia.
 Em muitas áreas, há uma grande facilidade de dialogar com a Filosofia. Existe uma parte que é a reflexão sobre o alcance e os limites de cada área. Além da matéria, deve-se ensinar determinadas questões importantes, como lógica e coerência argumentativa, quando você vai refletir sobre as bases do Direito, os princípios constitucionais, a igualdade, liberdade e isonomia. Descobre-se que a reflexão sobre essas questões é filosófica. Por isso há necessidade de um curso de Filosofia em Direito e Psicologia, por exemplo.
 Existem muitos grandes historiadores da Filosofia. É importante saber que um filósofo pode ser tanto aquele que estuda e investiga as questões filosóficas, mas este geralmente é chamado de historiador ou estudante da Filosofia. Um filósofo também pode ser aquele que tem um sistema filosófico, uma teoria filosófica elaborada. No Brasil, vale destacar Henrique Cláudio de Lima Vaz e Bento Prado Junior como dois grandes filósofos da atualidade.
O melhor caminho é pegar os livros de introdução às obras filosóficas, as introduções à Filosofia. Cada área tem muito material hoje. Mas  não deve ficar só nas introduções, buscar livros e também se aventurar intelectualmente mergulhando em um texto de um filósofo é o próximo passo.
E ler um diálogo de Platão, ou um texto de Aristóteles tendo esse caminho introdutório sobre a Filosofia. O importante é tomar a coragem de mergulhar no texto filosófico, mesmo correndo o risco de naufragar, pois mesmo no naufrágio há algo que se ganhe. Jamais o estudo da Filosofia se faz sem a leitura dos filósofos.


7 comentários:

  1. Realmente Rosângela, estamos vivendo um período em que não estamos mais questionando, simplesmente recebemos tudo pronto e acabado e aceitamos, seja da mídia ou as ordens que vem de cima para baixo e temos que acatá-las, muita vezes agimos como robôs que a qualquer momento alguém vem instalar um no sistema (parafraseando música de Pitty “Admirável Chip Novo”. Será que como profissionais da educação estamos ensinando os alunos a questionar? Ou preferimos que fiquem quietos para que a aula siga o planejamento?

    Admirável Chip Novo
    Pitty

    Pane no sistema, alguém me desconfigurou
    Aonde estão meus olhos de robô?
    Eu não sabia, eu não tinha percebido
    Eu sempre achei que era vivo
    Parafuso e fluído em lugar de articulação
    Até achava que aqui batia um coração
    Nada é orgânico, é tudo programado
    E eu achando que tinha me libertado
    Mas lá vem eles novamente
    E eu sei o que vão fazer:
    Reinstalar o sistema
    Pense, fale, compre, beba
    Leia, vote, não se esqueça
    Use, seja, ouça, diga
    Tenha, morre, gaste e viva

    Fonte: http://letras.terra.com.br/pitty/67413/. Acesso 22 de abril de 2012

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    1. Luciene, penso muito sobre o meu trabalho na sala de aula.
      vejo que infelizmente nem sempre consigo realizar o que proponho e da forma que gostaria, na sala de aula.

      Vejo que os(as) alunos(as)podem desenvolver mais com o trabalho nas salas de aula. Precisamos aprender a aprender o como possibilitar mais conhecimentos, estudando, refletindo e buscando também na filosofia, caminhos para novos horizontes no processo ensino aprendizagem na escola.

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  2. Filosofia e Filosofia de Vida
    Definir o que é filosofia não é uma tarefa tão fácil, pois a própria filosofia já foi pensada e repensada desde que o termo foi inventado por Pitágoras, por volta do século VI a.C. A palavra é formada por duas palavras gregas, “filo” que quer dizer amor ou amizade e “sophia” que quer dizer sabedoria ou conhecimento. Filosofia, portanto seria amor pelo conhecimento, pela sabedoria.
    Sendo o filósofo um “amante do conhecimento” isso significa que ele não é dono do saber, nem uma espécie de guru ou sábio dogmático. O filósofo é apenas um amigo e amante da verdade que está fora de seu domínio, seu papel é buscar a sabedoria, relacionar-se com ela e dividi-la com os outros. O filósofo, como amante do saber, não dispõe necessariamente deste saber, e o que ele pode fazer de fato é levar outros a buscar junto com ele, o conhecimento.
    Platão, aluno de Sócrates, acrescenta que o filosofar é o ato de admirar-se diante da realidade circundante. Essa admiração por sua vez é resultado da reflexão. Podemos olhar um objeto e simplesmente aceitar que ele está ali diante dos nossos olhos, ou, podemos nos perguntar, que objeto é esse? Quem o colocou ali? Qual a sua finalidade? Essa admiração de Platão é aquela mesma admiração das crianças diante do desconhecido, admiração que infelizmente, o homem vai perdendo conforme cresce, se adapta e se conforma.
    Filosofia de vida, ou cosmovisão, significa um “sistema pessoal de idéias e sentimentos a respeito do universo e do mundo”. Cada ser humano, em maior ou menor grau, tenha ou não consciência deste fato, possui uma concepção própria acerca da vida, do mundo, do universo.
    O fato é que todos revelam sua filosofia de vida através de manifestações, atitudes, maneiras de enfrentar as circunstâncias, de forma trivial, no dia-a-dia. Outros, em maior profundidade, o fazem através de artigos ou livros. Cada pessoa, com suas características extremamente individuais, já nos primeiros anos de sua vida, elabora uma escala de valores, embasada na família e na sociedade. Com o passar do tempo, muitos vão construindo seu sistema de valores de forma mais personalizada, muitas vezes em conflito com a família de origem e a comunidade em que se desenvolveram.

    Fontes: http://www.recantodasletras.com.br/ensaios/100835. Acesso em 24/04/2012 às 10:30h.
    http://emeric.wordpress.com/o-que-e-filosofia/. Acesso em 24/04/2012 às 10:05h.

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    1. Roberta, ao ler textos sobre as reflexões de Platão, um aluno de Sócrates, podemos ver a grande admiração o filósofo proporcionou ao ensinar. Este mestre possibilitou o despertar por sentimentos de mudanças de atitudes para enfrentar a vida com sabedoriaa, construindo e respeitando valores para a vida em sociedade. Aquela admiração descrita nos textos, praticamente não vemos hoje na sala de aula. Porém, creio que nem tudo está perdido e que ainda é como aquela história, as sementes devem ser plantadas, e claro que existem terras férteis. Temos que acreditar e planejar para que isto aconteça. A filosofia deveria ser uma disciplina desde as primeiras séries do Ensino Fundamental, daí certamente as possibilidades da busca de melhores caminhos para o ensino e aprendizagem na sala de aula, certamente seriam maiores e de melhores resultados.

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  3. Rosângela quando você comenta que a filosofia de vida em nosso cotidiano, não aparecem só elementos filosóficos, mas entram as vivências, crenças, etc; sabemos que nós somos seres sociáveis que influencia e somos influenciados, porém, acredito que em todas as nossas atitudes temos que deixar a reflexão dominar-nos para que tornamos seres melhores.

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  4. Realmente cabe-nos como educadores refletirmos acerca dos alunos que estamos formando... estamos incentivando-os a serem pessoas questionadoras, pensantes, críticas acerca do mundo em que vivem?
    Não podemos nos deixar levar apenas por nossa filosofia de vida, pois determinadas situações exigem de nós o uso do pensamento racional e a busca pela verdade. Daí a importância de nos corrigirmos e passarmos a formular mais perguntas que dar respostas aos nossos alunos. Não é fácil, pois vai contra uma cultura onde as pessoas estão acostumadas a adquirirem respostas prontas, muitas das vezes vistas como verdades absolutas e inquestionáveis... o desafio é grande...

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